Coringa

Nota: 8/10
Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) é um comediante fracassado e com distúrbios mentais que vive sozinho com sua mãe, Penny (Frances Conroy), enquanto leva a vida como pode na soturna cidade de Gotham. Ciente das injustiças que sofre por sua condição, Arthur decide colocar em prática um plano para deixar a sua marca na sociedade hostil em que está inserido, assumindo em seu movimento aleatório o codinome de Coringa.
Num mundo cruel como o que vivemos atualmente, onde há um verdadeiro olho por olho e dente por dente diário, preocupação apenas com o próprio umbigo e preconceito em relação a cor, saúde física e mental, nível financeiro, opção sexual e muitas outras circunstâncias, temos aqui um filme urgente. A adaptação dos quadrinhos da DC escancara a importância de governos, instituições e comunidade em geral cuidarem melhor de seus cidadãos mais vulneráveis, que são praticamente engolidos pelo sistema. A exclusão social de pessoas que muitas vezes só esperam um mínimo de respeito pode gerar repercussões que desencadeiam tragédias. Neste ponto, a película coloca o dedo na ferida ao representar massas da população que são claramente esquecidas. Joaquin Phoenix entrega uma atuação magistral e a melhor de sua carreira, sendo que o ator encarnou o maior vilão do Homem-Morcego numa roupagem para o século 21, ao interpretar um homem anoréxico e que sofre de depressão. O longa assume alguns maneirismos durante a trama a fim de mostrar como o protagonista busca chamar os holofotes para si mesmo ao longo de sua odisseia maquiavélica. Longe de tentar pintá-lo como herói, o diretor Todd Phillips apresenta o Coringa como um resultado da sociedade atual, um exemplar do que a indiferença é capaz de produzir, sem desobrigar o personagem da culpa por seus atos. Um filme imperdível, reflexivo e absurdamente necessário.

Joker, 2019, 2h02m. Dirigido por Todd Phillips, com Joaquin Phoenix, Robert DeNiro e Frances Conroy.

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