A Separação

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Nota: 8,5/10
Uma separação abrange muito mais do que as duas pessoas envolvidas no processo de divórcio. Envolve os filhos, os outros familiares, e muitas outras complicações. Sob a ótica do excelente diretor iraniano Asgar Farhadi, vemos o quão doloroso e difícil pode ser quando um casal decide que o amor acaba; ou que não vão mais tentar nutri-lo. Mais recentemente, a Netflix também lançou um filme sobre o tema, História de um Casamento, com Adam Driver e Scarlett Johansson. Mas apesar da profundidade vista na atuação da dupla, A Separação é superior pelo desenvolvimento do enredo, e pela forma com que apresenta e trata seus acontecimentos. A trama que começa simples ganha contornos cada vez mais emblemáticos conforme o tempo passa; e apesar de ser um filme dramático e lento, em nenhum momento nos sentimos cansados em meio a projeção, tamanho o domínio de condução de cada ato. O final é digno da obra e nos emociona após tudo o que vivenciamos juntamente com os personagens. A Separação é uma experiência cinematográfica ímpar, a qual não estamos comumente acostumados por não se prender a clichês, e uma prova do talento do cinema iraniano. 
Logo de cara somos jogados no centro do furacão: a cena de abertura é a do casal conversando com o advogado responsável por conduzir o divórcio. Já é possível nos sentirmos assistindo a um episódio de Casos de Família logo ali, bem de início. Mas ao longo da projeção vemos como a trama se torna mais complexa, escancarando a quantidade de problemas e conflitos que advém de tal decisão. Nader (Payman Naadi), o marido, resolve contratar uma diarista na ausência da esposa (Leila Hatami) para que cuide de seu pai, que sofre de Alzheimer. Mas um conflito entre a recém-contratada e Nader irá causar sérios problemas.
O cinema iraniano não é muito difundido mundialmente, até porque o Irã mantém uma rígida censura sobre os filmes locais. Mas este acabou se destacando pela primorosa produção e atuações marcantes, ganhando o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Vale cada minuto.  

Jodaeiye Nader az Simin, 2011, 2h03m. Dirigido por Asgar Farhadi, com Payman Naadi, Leila Hatami e Sareh Bayat.  


 

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